sábado, 28 de Abril de 2012

Porque se devem dar as boas noticias

Normalmente só damos as más noticias, pelo que decidi aproveitar este espaço para registar o excelente desempenho dos títulos da dívida portuguesa nas últimas semanas.  A taxa de juro implícita à dívida portuguesa a dez anos está há nove sessões em queda e esta sexta fechou nos 10,49%. A dívida portuguesa a dois anos está nos 8,7%, um valor semelhante ao registado antes do pedido de ajuda à troika. Este desempenho é bastante positivo e deixa alguma esperança, para mais dada a turbulência das últimas semanas com os receios em relação a Espanha.

Sabedoria e paradoxo

A meu ver a sabedoria é uma só. Aquela que prega a resignação, o bom senso e a prudência, que «joga pelo seguro», que escolhe sempre «do mal o menos» não é sabedoria, mas cálculo. Evita o compromisso e a responsabilidade. Tem medo do risco. É por isso que a literatura cristã fala tantas vezes de «verdadeira sabedoria». A esta opõe-se as sabedorias falsas ou aparentes. Mas a sabedoria é uma só. Abrange a totalidade do comportamento humano. O seu objeto é de tal modo vasto e complexo que tem de se alimentar do contacto vivo com Deus na meditação e na contemplação. É nesse contacto que se percebe, numa intuição súbita, ou numa perceção progressiva, que a excessiva vastidão e complexidade do real se reduz, em Deus, à unidade. À simplicidade do uno.

by José Mattoso in Levantar o Céu

A nossa dimensão, ou não temos todos de ser uns grandas bosses

Nunca o homem teve tanto poder e ao mesmo tempo tanta fragilidade. A globalização trouxe-lhe a consciência da sua incapacidade de resolver todos os problemas quando tudo depende só de si mesmo. As leis da proporção e da quantidade, e o exemplo de iniciativas recentes, mostram-lhe que as cimeiras dos maiores detentores do poder político, financeiro e tecnológico são impotentes para resolver os grandes problemas da humanidade. Se é assim, o homem devia recuperar a consciência da sua finitude. Os poderosos tentarão, assim se espera, resolver os grandes problemas. Mas o cidadão comum, o indivíduo, só pode resolver os problemas em que está envolvido, e tendo em conta a escala daquilo que pode alcançar: o grupo a que pertence, a família que o rodeia, o trabalho de que vive, as associações em que se inscreve, o país da sua cidadania, a ideologia ou a confissão religiosa que professa. É para com eles que deve ser responsável. É a esta escala que a mudança de olhar proposta pela atitude contemplativa lhe pode trazer uma nova esperança.

by José Mattoso in Levantar o Céu

quinta-feira, 26 de Abril de 2012

25 do 4

24 de Abril, o dia anterior.
Imagino tudo fosco, tudo escuridão. A escuridão da falta de esperança. A escuridão da repetição, da sobreposição infindável de bafos e bafios e bafiosinhos. Cria teias. Pacientemente, muito pacientemente, envolve, atrasa. Cola. Apaga o nosso corpo em naftalina.

26 de Abril, o dia seguinte.
Imagino tudo fosco, tudo escuridão. Não a escuridão da falta de esperança que nos obriga a sentar. Uma escuridão de abismo que atrai. A escuridão do espaço vazio. Cria vertigem e impele, faz com que o mundo rode. É o preto que nos envolve e não nos deixa ver a nossa mão. Apaga o nosso corpo. Dissolve-o em possibilidades.

sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Sabedoria

A sabedoria verdadeira não se mostra à primeira vista, é preciso desejá-la, compreendê-la, descobri-la. Exige uma iniciação. Uma iniciação no sentido mais forte do termo, isto é, uma experiência vital, que é como uma morte mediante a qual a vida se transforma e adquire novo sentido. De facto, a sabedoria não é uma moral, um método, uma estratégia, um sistema. Não está só no pensamento. Pode inspirar a palavra, mas não fica encerrada nela. Não explica nada, pratica-se. Não demonstra nenhuma doutrina, tem de ser achada quando se remove o que a esconde. Se lhe falta experiência, o envolvimento pessoal, pode-se apresentar como um ideia, uma necessidade, o melhor caminho, ou até a salvação, mas perde o poder persuasivo, a força comunicativa, a eficácia. Por isso há sempre nela qualquer coisa de inesperado, como no tesouro encontrado no campo, ou na minúscula semente que dá uma árvore grande. A sabedoria tem sempre uma história: resulta de um encontro e implica uma transformação. Nasce de um acontecimento e revela-se por meio da expressão poética. Não depende da lógica, cuja verdade já está contida nas premissas. A sua linguagem própria é a do símbolo e da analogia.

por José Mattoso in Levantar o Céu

quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Caderneta de cromos

Alguém se lembra desta música? De novo e agora pelo génio Bruno Aleixo. Agradecimento à Rádio Comercial e à sua equipa da manhã.

terça-feira, 17 de Abril de 2012

Não somos suficientes

"Creio que a perspectiva meramente ética, cívica e laica acerca do valor do princípio da cidadania como factor de desenvolvimento humano é ineficaz. Encerra os cidadãos num plano limitado e material, e este torna-se inoperante para neutralizar a tendência egoísta e gananciosa do homem. Se queremos manter a esperança de um futuro melhor para a Humanidade temos de recuperar a noção de sagrado."

por José Mattoso in Levantar o Céu

terça-feira, 10 de Abril de 2012

Portagens nas Scuts: O mistério

Segundo rezam as crónicas, no último fim-de-semana  formaram-se filas de grande dimensão na fronteira entre o Algarve e a Andaluzia devido às complexidade do sistema de pagamento de portagens na A22. Eu concordo com o principio do utilizador-pagador, pelo que penso que na maioria dos casos a introdução de portagens nas anteriores SCUTS foi algo positivo. O que eu nunca consegui perceber foi o porquê da introdução de um sistema de portagens tão complexo para as anteriores SCUT's. Não teria sido mais fácil introduzir as tradicionais portagens? Ou mesmo portagens automáticas, mas em que o pagamento é feito na própria portagem? Qual a razão do chip, pagamento em correios e toda essa complicação?

segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Myanmar

Há 4 anos atrás Myanmar continuava a ser a governado por uma das ditaduras mais violentas, opressoras e isolacionistas de que há registo. Em 2008 a junta militar que governa o pais desde 1962 revelou que pretendia uma abertura externa e dar passos no sentido de criar uma democracia e uma sociedade livre. Nessa altura todos esses sinais foram encarados com bastante prudência e na realidade poucos pensariam que as caracteristicas da ditadura de Myanmar se alteraria nos anos que se seguiriam, a menos que houvesse uma revolução.
Mas das intenções a junta militar passou aos actos, com uma série de medidas que parecia demonstrar que as suas intenções eram verdadeiras. Mesmo após essas medidas, muitos, incluindo eu próprio, duvidavam de uma vontade sincera da junta militar para prosseguir esse caminho e o fazer duma forma rápida. No entanto, as medidas foram crescendo e acumulando-se, pelo que mesmo os mais cépticos (como eu) eram obrigados a perceber que algo estava a acontecer.
Este Domingo, 1 de Abril, Aung San Suu Kyi, prémio nobel da paz e a mais conhecida opositora ao regime, foi eleita deputada nas eleições legislativas parciais. Penso que esta é uma das melhores noticias que a Democracia recebe nos últimos tempos, pois demonstra que Myanmar pode mesmo estar a caminhar para a democracia.
Apesar do marco que é este dia, é importante lembrar que o caminho para a democracia em Myanmar ainda é muito longo e é importante que a comunidade internacional se mantenha alerta para evitar que sejam dados passos atrás. Simultaneamente,  é importante que a comunidade internacional apoie Myanmar (falamos de um dos paises mais pobres do mundo), pois isso ajudará a evitar passos atrás.